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Boa tarde - Itabira, domingo, 15 de setembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

DOCUMENTÁRIO  
CAPÍTULO 11º: FRENTE A FRENTE COM RONALDO LOTT
Secretário esclarece polêmicas sobre Itabira-Vale 19/09/2018

 
NOVA PAUSA PARA REFLEXÃO
 
A exemplo do Capítulo 3º, voltamos a um tempo de reflexões, interrompendo o histórico deste Documentário. A necessidade destas pausas se prende ao desenrolar dos acontecimentos de conversações Itabira-Vale para fechamento de minas. Na verdade, qualquer bom entendedor vai concluir que a discussão aberta sobre a saída da Vale de Itabira, por parte de todos os itabiranos — incluindo as autoridades e a sociedade civil organizada — soma 76 anos e três meses de atraso.
 
Como parte das reflexões que desenvolvemos agora, foi proposto e fizemos uma entrevista com o secretário de Obras da Prefeitura de Itabira, engenheiro civil Ronald Lott Pires, que é membro do grupo de trabalho criado pelo prefeito Ronaldo Magalhães para se entender com a mineradora Vale. São três os participantes do grupo: Marcos Alvarenga, secretário da Fazenda, Celso Matosinhos, assessor especial da Prefeitura, além de Lott, da Secretaria de Obras.
 
“NÃO É UMA COMISSÃO, MAS UM GRUPO DE TRABALHO”
 
“Quero esclarecer, de antemão, que o prefeito Ronaldo Magalhães não criou uma comissão para negociar com a Vale, como muitas pessoas, até parte da imprensa, falam. Foi criado um grupo de trabalho para início deste processo que precisa ser entendido, que se divide em duas partes: diversificação econômica de Itabira e solução das pendências ambientais, judiciais etc. Haverá outras etapas, pode-se criar uma comissão, várias comissões, a comunidade deve ser chamada, ouvida, tudo na sua hora, na sua vez, no seu tempo.”
 
“NÃO SEI  SE OS MUNICÍPIOS DA REGIÃO SERÃO CHAMADOS”
 
“Repito que este é o início do trabalho. Não posso falar pelo governo nem pelo grupo.  Talvez os municípios (da região de influência, que participavam do rateio do antigo Fundo de Reserva no tempo da Vale estatal) venham participar conosco, não sei. Somente o prefeito pode definir e esclarecer diretrizes governamentais.” 
 

GRUPO DE TRABALHO OU COMISSÃO?

Acho que não é o nome do grupo que importa. Fiz o comentário pois esse foi o nome dado ao grupo. Mas chamar de grupo ou comissão fica ao gosto de cada um.

PRIMEIRA AUDIÊNCIA PÚLICA, UM SHOW

Uma audiência pública que se tornou referência no estado nas questões ambientais foi a de Itabira. Depois dela mudaram muito a forma de realização destas audiências, permitindo maior participação e maior organização. Itabira deu um show naquele dia. Na audiência não foram determinadas as condicionantes. Foi para a população, sociedade civil, empresas, poder público etc. se manifestarem.

As condicionantes foram fruto de DOIS anos de discussões com a Vale e com os órgãos ambientais.Foram 52 condicionantes. A do Aterro Sanitário foi cumprida. Provavelmente a que ele se refere é a da Central de Resíduos. Há discussão sobre não cumprimento de algumas outras. Não estou envolvido neste assunto atualmente, especificamente.

Quando participei possuía um cargo de confiança, igual ao atual, mas depois de 31/12/2000, nunca mais participei de nada na Prefeitura, nem quiseram me consultar.

Atualmente, possuo novamente um cargo de confiança e o prefeito solicitou minha participação no processo atual. Acho que não é correto eu ser cobrado por períodos que não tive nenhum envolvimento e não tenho que dar explicações sobre este período.

DEZOITO ANOS DA LOC. E DEZ ANOS PARA A VALE IR EMBORA?

Acho que há um equívoco, não demorou 18 anos para cumprimento ou não da LOC. Muita coisa foi realizada e, infelizmente, penso eu, uma das mais importantes não foi para frente. Seria a condicionante que criou a estrutura do PEMSO (Plano de Envolvimento e Mobilização Social). Virou um produto com nicho político restrito e não cumpriu sua função principal: Criar a percepção na população que ela é o principal ator nas decisões de uma cidade.

Ninguém , nem a Vale, nem os governantes do momento, terão uma varinha mágica para determinar o que será nossa cidade no futuro.

 
A VALE NÃO ESTÁ INDO EMBORA DE ITABIRA”
 
“Haverá uma mudança radical na vida de Itabira dentro de mais algum tempo. A cidade deixará de ser monoindustrial para diversificar as suas atividades econômicas. Não é fácil mas vai acontecer. A receita do Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) vai cair sensivelmente, pode-se dizer. A Vale, que paga uma elevada quantia de impostos à Prefeitura, não mais o fará, mas serão encontradas outras saídas, teremos muitas opções pela frente, há projetos decisivos relativos ao futuro, as amarras devem ser bem feitas. Itabira, provavelmente, continuará tratando o minério de ferro vindo de outras localidades, não haverá uma geração de impostos nos níveis de hoje, não existe no Brasil nada que gere mais impostos do que mineração, como os que a Vale ainda paga a Itabira. A vida continuará normalmente, não vamos correr, o itabirano está muito ansioso.”
 
“MÃE E MADRASTA DE ITABIRA DEIXARÃO DE EXISTIR”
 
“Prefeitura e Vale são chamadas ora de mãe, ora de madrasta de Itabira (ambas). Essas figuras deixarão em breve de existir, o itabirano precisa aprender a viver sem o paternalismo que sempre caracterizou esse  relacionamento.  A Prefeitura vai gerar menos empregos, os números serão reduzidos passo a passo. O total de funcionários hoje não posso precisar.”
 
“NÃO, A CHINA NÃO VAI COMPRAR  ITABIRA”
 
“A China, que virou um país comunista e capitalista ao mesmo tempo, está deixando de exportar manufaturas para investir no mundo todo. É a sua nova estratégia de crescimento. O itabirano não vai vender receitas do Cfem para chineses ou para ninguém. Agências de fomento chinesas poderão financiar empreendimentos futuros.
 
“EDUCAÇÃO, ECONOMIA E SAÚDE ESTARÃO NA FRENTE”
 
“Porto Seco (o aproveitamento da linha férrea para o transporte de riquezas a serem produzidas na região), Unifei, Parque Tecnológico e Aeroporto — estas ideias estão sendo geradas, alimentadas, estão em discussão. Itabira não será mais uma cidade monoindustrial, volto a dizer, seremos um novo polo de atividades diversificadas. Educação, Economia e Saúde estarão na frente puxando outras ações. Haverá grandes mudanças aqui e a sociedade não vai ficar de fora das decisões.”
 
“O ITABIRANO PODE QUERER  SOLUÇÕES PARA SEGUNDA-FEIRA”
 
“Não adianta correr, não resolve. Temos tempo para resolver todas as questões que vamos enfrentar. Já disse e volto a repetir:  há muita ansiedade em Itabira a respeito do que virá pela frente. O itabirano não pode querer soluções para segunda-feira.” 
 
“RETIRADA DA LINHA FÉRREA DA ÁREA URBANA DE ITABIRA”
 
“A retirada de trilhos da área urbana é uma questão à parte, não é uma reivindicação da Prefeitura à Vale, mas uma discussão dos governos de Minas Gerais e do Espírito Santo com o Governo Federal. Haverá uma renovação de concessões ferroviárias das Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), Estrada de Ferro Carajás (EFV), VLI Logística e Ferrovia Centro Atlântica (FCA). A Vale é a responsável pela operação desse complexo ferroviário. Discute-se a aplicação de um valor estimado em R$ 2,8 bilhões para implantação dessa ferrovia e aproximadamente R$ 350.000.000,00 para solução de conflitos urbanos. E Itabira está inserida nestas ações. O que se tem a fazer é resolver questões de conflitos urbanos causados pela passagem de trilhos em Itabira. 
 
Estivemos neste dia 10 de setembro (Ronaldo Lott, Ilton Magalhães, secretário de Governo e André Viana, vereador e presidente do Sindicato Metabase) numa audiência pública na Assembleia  Legislativa, quando debatemos o assunto. Estamos apoiando as soluções para Itabira: desvio do Ramal João Paulo, retirando a ferrovia do trecho entre a “Curva da 105” até o final da Avenida Mauro Ribeiro; implantação de uma passagem inferior (túnel), ligando o  São Cristóvão ao Bairro Juca Rosa e  interligando assim toda a  chanada Avenida Espigão.” (Essa projetada nos anos 1970 pelo urbanista Radamés Teixeira, que registramos em entrevista, em agosto de 1994, páginas 7 a 10, Itabira e Centro-Leste em Revista).
 
“NINGUÉM VAI LEVAR O IMÓVEL PARA OUTRA CIDADE”
 
Empreendedores sempre investiram em Itabira, tendo boa parte de seus patrimônios aqui, e estes bens não serão deslocados. Portanto, cabe também a esta parcela da sociedade entender que a cidade é feita por todos. O novo modelo econômico que Itabira terá passa, obrigatoriamente, por uma nova mentalidade: não depender mais de uma Prefeitura e/ou de uma só empresa.” 
 
“LEIO TUDO, POR MAIS ABSURDAS QUE SEJAM AS INFORMAÇÕES”
 
“Estamos atentos às notícias, leio tudo o que escrevem, por mais absurdas que sejam as notícias e informações. A imprensa precisa continuar cada vez mais atenta que nós, tem a a responsabilidade de informar, é preciso saber disto.”
 
ANÁLISE
 
O secretário Ronaldo Lott demonstrou segurança durante toda a entrevista, mas fez observações: “Somente o prefeito pode definir e esclarecer diretrizes governamentais”. 
À vontade, ele, que é itabirano de nascimento (e já ocupou o cargo de secretário de Obras em outras ocasiões), transmite relativa segurança aos ansiosos itabiranos que, realmente, querem soluções imediatas.
 
Resta saber se haverá um cronograma de trabalho a ser executado pelo primeiro grupo de trabalho criado,  como funcionarão das comissões, e se haverá uma regra para participação da comunidade, de forma mais direta a sociedade organizada, durante todo o processo de “despedida” ou mudança de atividade da mineradora.
 
Foram citadas questões em que ele deixou de opinar, justificando o seu posicionamento, e acrescento mais: não sabe se alguma comissão fará uma proposta à Vale para que ela seja parceira direta, como assumir posição de participação de capital em sociedades, já que, como dizem executivos da empresa em Itabira, a  antiga CVRD  não sairá do município.
 
Disse que a Prefeitura está em processo de redução de funcionários, com acordos e aposentadorias, mas não explicou como, nem sabe precisar o número de servidores estão na ativa hoje. Outros secretários estimam de três e cinco mil. Ele não entrou nesse detalhe.
 
Ronaldo Lott também não quis precisar se haverá medidas a serem tomadas relativas à menção da dívida cobrada pelo prefeito Li (1996) na Justiça. Só garantiu que depois de impetrada a ação, esta não saiu da primeira instância, não foram feitas as devidas perícias. Quer dizer, no caso, em análise clara, que nenhum prefeito quis dar sequência à ação. No entanto, Lott afirmou que “a ação não deixa de ser um trunfo para Itabira.”
 
CONCLUSÃO
 
Cabe ao filho de Itabira (natural ou de coração), acompanhar, seja como for, o desenrolar dos fatos que se sucederão durante os entendimentos para reconstrução de uma cidade totalmente dominada pela mineradora Vale até então, que invadiu, segregou, dominou econômica e politicamente durante mais de ¾ de séculos uma comuna mineira, conhecida mundialmente, desde o início do século XX, como dona da maior reserva de minério de ferro do mundo.
 
E acender um alerta aos negociadores que atuam diretamente para que encontrem uma forma de “amarrar” decisões do presente com ações no futuro. É muito comum em Itabira um prefeito abandonar totalmente as obras iniciadas pelo antecessor. Em Itabira o fato  se  repete sempre (ainda vamos focalizar este pormenor),  grande fator gerador de atraso na caminhada rumo a um futuro seguro e tranquilo.
 
José Sana
 
Fotos:  1 -  Ronaldo Lott - SSCS/PMI
            2 -  Antiga Estação Ferroviária de Presidente Vargas (Itabira) - Vale
            3 -  Trilhos da Estação Ferroviária - Vale
            4 -  Primeira reunião realizada no RJ - SSCS/PM
            5 - Estação Ferroviária de Itabira - Vale

 

 

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