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Boa tarde - Itabira, domingo, 15 de setembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

DOCUMENTÁRIO  
CAPÍTULO 7º: A VALE CHEGOU
Dificuldades e controvérsias entre autores 17/08/2018

 
 
CONFIRMANDO  DERROTAS “INCOMPARÁVEIS”
 
Um dia de junho, na hora do almoço, a cidade foi invadida por uma fila de muitos caminhões... Era a CVRD... era o progresso que chegava. Eu me lembro como se fosse hoje.” (CHIQUINHO ALFAIATE ao jornalista Marcos Caldeira, frase publicada no jornal O Trem Itabirano originalmente). Para o povo, aí tudo começou de verdade. Mas teve o que vimos se sucedendo desde o ciclo do ouro.
 
A síndrome Tutu Caramujo estava funcionando já? Parece que sim. Vamos repetir alguns tópicos para reafirmar por que queriam ou querem sugar naus do que Itabira pode e pôde dar. Vimos nos primeiros capítulos os antecedentes da Companhia Vale do Rio Doce desde quando o governo federal encampou a Itabira Iron Ore Company, em 1939. A ideia era nacionalizar não só a extração e exportação de minério de ferro como também implantar uma indústria siderúrgica no país. A certeza que do ocorreria no Brasil era clara, lutava-se para que fosse implantada esse empreendimento em Minas Gerais, mas a realidade beneficiou o Estado do Rio de Janeiro com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), precisamente em Volta Redonda. Perda para Itabira, que tinha o legítimo direito, por omissão de políticos locais, mas o fracasso se estendeu para Minas Gerais.
 
Israel Pinheiro, político mineiro, de Caeté, que seria mais tarde presidente da CVRD, era quem lutava pela siderúrgica mineira, mas... “Na verdade, o estratagema de Israel só não deu certo, trazendo para Minas a Siderúrgica Nacional, pelos laços que unia Vargas a Alvarenga Peixoto, seu genro, que fez pressão para que a siderúrgica fosse instalada no Estado do Rio, do qual era interventor” (VAZ, 1996, p.168).
 
Vale acrescentar que o ditador Getúlio Vargas fez muito pelo Brasil ao retirar a CVRD das mãos dos estrangeiros, mas não merecia, definitivamente, fazer o que fez:  aceitou  denominar Presidente Vargas a cidade pelo Decreto-lei estadual nº 1058, de 31-12-1943. Só algum tempo depois ocorreu a volta de  Presidente Vargas para Itabira, alteração feita  pelo Decreto nº 2.430, de 05-03-1947.
  
Itabira era uma vasta  e progressista zona rural, como se vê por dados populacinais: em 1950, a região urbana tinha apenas 8.187 habitantes e 17.087 no campo;  20 anos depois, a zona urbana 41.231, enquanto o êxodo rural era estabelecido em 15.163 (IBGE). Tal êxodo continuou no mesmo rumo e continua até os dias atuais. “O Instituto Agronômico teve vida curta: apenas quatro anos de funcionamento e alguns anos depois para desalojar-se.  Após a primeira e única formatura, se formaram apenas dois engenheiros, o governo dispensou os funcionários e encerrou definitivamente o ensino teórico de agricultura em Itabira. O governo colocou a Fazenda Palestina à disposição da Câmara de Itabira, enquanto apresentasse produção. Assim a exploração da sericultura permanece, sendo posteriormente extinta” (BOTELHO, 2009, p. 108 e 109).
 
Esclarece-se que durante as atividades do instituto (1880-1898), considerando-se o prolongamento de atividades da Fazenda Palestina, a cidade se chamava Itabira do Mato Dentro, nome encurtado para Itabira, em 1891. A partir daí, se fosse a medição de um placar de futebol estaríamos assim perdendo o jogo, por enquanto: Governo Federal 2 x Itabira 0, isto é, foram perdidos o instituto agronômico e a indústria siderúrgica.
 
A afirmativa a seguir serve para corroborar a anterior, sobre a destruição da agricultura, que sustentava o município: “Com a implantação da CVRD, a agricultura da região perdeu importância e entrou em declínio. A intensificação da atividade mineradora no município ocasionou acentuada redução da área agrícola com a aquisição de grandes extensões de terras pela ‘Companhia’” (OLIVEIRA, 1992, p.22). 
 
ALGUNS PRÓS 
 
A seguir, demonstrações de alguns prós em favor de Itabira na  exploração minerária,  executada pela Companhia Vale do Rio Doce:
 
“O ferro das montanhas de Minas Gerais pode de certo modo se considerar inesgotável." (SAINT-HILAIRE, 1938:249).
 
“É curiosa a Vila da Utopia, posta na vertente da montanha venerável e adormecida na fascinação do seu bilhão e quinhentos milhões de toneladas de minério, com um teor médio superior a 65% de ferro, que darão para ‘abastecer quinhentos mundos durante quinhentos séculos’ como garantiu o visconde de Serro Frio’” (ANDRADE:1933 apud MINAYO, 1986:45). Quer dizer, o minério seria eterno. 
 
“Há de se ressaltar que os benefícios que a Vale oferece a seus funcionários na educação, saúde, e moradia é parte do salário indireto pago pela mineradora. Além da política de desenvolvimento regional  instituída pela CVRD, no período estatal, em seu estatuto, como a publicação comemorativa dos 50 anos admite”  (site www.defatoonline.com.br em 04/11/2015). 
 
“Conforme consta de seus estatutos, a Vale do  Rio Doce deve aplicar até 8% de seu lucro líquido anual em investimentos voltados para o desenvolvimento sócio-econômico das áreas em que opera nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo (CVRD, 1992: 271 apud FERREIRA, 2015: 87).
 
O advogado itabirano, Denes Martins da Costa Lott, especialista em Direito Ambiental e mestre em Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental, que trabalhou na Vale, admitido em 1995, em 2014 é autor de  “ O fechamento de mina e a utilização da contribuição financeira por exploração mineral”. Lott  defende um ponto de vista  equilibrado ao que a Vale demonstra fazer hoje. 
 
Em sua obra, ele é taxativo:  “Ao longo de sua existência, desde 1942 até os presentes dias, a participação da Vale e, portanto, da mineração, no desenvolvimento de Itabira é facilmente perceptível, como se depreende de alguns dados estatísticos:  
 
a) em 1939 (3 anos antes da fundação da CVRD) a renda per capta de Itabira era apenas de 1/4 da renda per capta de Minas Gerais. Já em 1985 a situação já havia sido revertida totalmente, já que a renda per capta da cidade passou a ser 60% superior que a mineira , ou seja a riqueza do Município em 46 anos cresceu 6,3 vezes mais rápido que a riqueza de Minas Gerais;
 
 b) em função das atividades da CVRD, Itabira tornou-se no período 1990/1993 o 4º  maior arrecadador de ICMS no Estado;
 
c) a receita total da Prefeitura de Itabira, devido à atuação da CVRD, em 50 anos, cresceu mais de 50 vezes em valores reais” ; 
 
d) a exploração mineral trouxe para o Município de Itabira um eficiente sistema de transporte, seja rodoviário, seja ferroviário, interligando a cidade aos principais portos e cidades do País; trouxe uma importante infraestrutura elétrica e de telecomunicações e, ainda, aproximou a cidade com fornecedores de matéria-prima, além de a Vale ter possibilitado o treinamento de mão de obra com cultura industrial; e 
 
e) o volume de recursos que a Vale internou em Itabira, desde 1942, considerando-se uma taxa de remuneração de 6% reais ao ano, pode ser calculada, a valor presente, a um valor em torno de US$6,50 bilhões, o que significa que a economia local  teve todas as condições de desenvolvimento para situar-se acima da média do Estado de Minas Geais.” (LOTT, 2014, p.42).
 
Ainda o autor, concluindo seu próprio raciocínio: “Na realidade, para se avaliar o papel da CVRD no desenvolvimento de Itabira, ter-se-ia que comparar o Município com o que possivelmente aconteceria se a empresa não tivesse sido criada.”  (LOTT, 2014, p.43). 
 
“Para os trabalhadores a chegada da CVRD significou o ‘emprego fixo, direitos sociais, vida melhor’, tudo sintetizado na frase ‘foi o progresso que chegou’. E entrelaçando o destino da cidade, numa compreensão vifida das novas relações que se instauraram em junho de 1942, um dos trabalhadores pontifica: ‘ai de Itabira se não fosse a Vale, ai! da Vale se não fosse Itabira’ (...) Embora as duas visões aqui identificadas não sejam estanques e comportem ampla gama de nuances e distinções, de acordo com as posições das pessoas na sociedade local e de acordo com as suas histórias de vida, elas são bem significativas das que ainda hoje estão presentes nos moradores de Itabira e se manifestam em duas distintas reações frentes à CVRD” (MINAYO, 1986:48 apud LIMA, 2002:15).
 
Em entrevista à Revista DeFato em 2007, o advogado Sérgio Augusto Gonçalves Rosa, falecido em 2015, pronunciou a seguinte frase: “Meus antepassados contavam que, enquanto alguns itabiranos temiam pelas consequências de exaustão e criação de bolsões de pobreza como consequência da mineração, uma parte significativa da sociedade rezava pela instalação de uma empresa, que seria a Vale do Rio Doce, para que seus filhos pudessem trabalhar; as mulheres  faziam novenas nas casas, pedindo forças superiores para  resolver o intrincado caso que, finalmente, terminou  no famoso Acordo de Washington, que seria a criação da CVRD” (Revista DeFato, ano X , novembro/2007, p. 36).
 
ALGUNS CONTRAS
 
Itabira, no entender de seus principais pesquisadores e historiadores, seria uma cidade normal, não atrairia uma multidão de moradores, caminharia no seu rumo como muitas outras urbes do interior caminharam. “Até a década de 1940, Itabira era uma pequena cidade com uma população urbana de 6.254 habitantes, isolada no interior de Minas Gerais, apesar de possuir um espaço urbano e uma sociedade estruturada. Existiam várias escolas de primeiro e segundo graus, teatro, clubes, jornais e uma elite que acumulou riquezas com a exploração de ouro, de ferro e outras atividades econômicas” (SOUZA, 2007, P. 43).
 
Saint Hilaire, em  “Itabira do Mato Dentro, jornada de Itabira a Vila do Príncipe” afirmou: “Havia aí muitas casas lindas de sobrado, e construíam novas, apesar dos enormes dispêndios que eram necessário fazer para retirar madeiras dos morros vizinhos. Quase todas eram construídas de baraúna ou braúna, madeira que se conserva tão bem que se considera incorruptível; as peças que formavam o arcabouço das construções repousavam sobre alicerces de pedra; os tetos avançavam, talvez, um pouco menos que os de Vila Rica, e as janelas não se superpunham uma às outras, como no Rio de Janeiro.(SAINT-HILAIRE, 1938: 239 apud SOUZA, 2015: 55)
 
Assim se  manifestou Ana Gabriela Chaves Ferreira em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para obtenção do título de bacharel em Ciências Sociais à Faculdade de Ciências Humanas da UFMG: “A Vale é como uma flor carnívora. Está devorando o povo de Itabira, sem o povo perceber. O povo acha a Vale muito boa. É uma instituição muito segura. Mas vai aos poucos devorando Itabira. Quase nada resta de Itabira (Relato de Julieta Drummond. sobrinha de Carlos Drummond de Andrade. FERREIRA, 2015:p.66 Apud GONZALES CRUZ, 1980, p.74).
 
Quanto ao ilustre itabirano, Carlos Drummond de Andrade, uma verdadeira enciclopédia de manifestações que advertiam os seus conterrâneos foi  publicada por grandes intelectuais, estudiosos e não-estudiosos. As pesquisas levam a declarações como esta: “O quadro que fatalmente advirá à medida que for esgotando a exploração mineira: populações acordando de um sonho de riqueza para a realidade de desemprego, do desmantelo dos serviços básicos de saúde, saneamento, educação, abastecimento.  A austera, apagada e vil tristeza das cidades que conheceram a circulação intensa do dinheiro, e o vêem sumir para nunca mais. Em geral, o que o dinheiro deixa nesses casos de lucro cessante é a lembrança acre de sua volubilidade. Desmontam-se instalações, torna-se vacante a mão de obra. Cultura? Recreação? Lazer? Tudo murcha, pois a indústria extrativa (e não transformadora) de minerais não costuma deixar senão um rastro de pé e tristeza...” (ANDRADE, C, 1976, apud LIMA, 2002, p. 11).
 
“ Em 1943, o presidente da CVRD, Israel Pinheiro, permutou com o prefeito todos os lotes do Pará em troca  do abastecimento de água da cidade... Até hoje, a Companhia não pagou esta dívida à Prefeitura. Ficou com os lotes, construiu as casas e não cuidou do abastecimento de água em Itabira...” (OLIVEIRA, 1992:44).
 
De acordo com ex-secretários de Meio Ambiente da Prefeitura de Itabira,  a  Condicionante número 12, da Licença Operacional Corretiva (LOC) da Vale em Itabira, acordadas em 18/05/2000, não foi cumprida, mesmo sendo a mais importante.  Quer dizer, não há como se empreender qualquer tipo de entendimentos com a empresa sem que o principal item não esteja atendido. De acordo com informações obtidas no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), centenas de pedidos de ligações para pequenas indústrias não são atendidas de há muitos anos, ou seja, resta a pergunta inquietante:  como industrializar uma cidade sem água suficiente sequer para seus habitantes? Em outras palavras, foi a própria Vale a responsável pelo rebaixamento do lençol freático de imensas áreas itabiranas.
 
Em sua obra “Os homens de ferro”, Maria Cecília de Souza Minayo (1986), expõe uma série de entrevistas desenvolvidas  com os trabalhadores da CVRD. Destacamos uma informação: “De todas as categorias de trabalhadores da ‘Centralizada’ (grande oficina construída na década de 1970 para englobar as oficinas do espaço do Cauê), a considerada ‘mais sacrificada’ pelos próprios operários é a de soldador” (MINAYO, 1986: 158)
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Uma das entrevista, a de número 40, da autora, com um operário: “O serviço de solda é que é muito perigoso e penoso: a pessoa trabalha com gás, com raios infra-vermelhos, calor, com aquela vestimenta toda, botina, avental de couro, peneira de proteção, mangas, luvas, máscaras. Você não pode imaginar o que é trabalhar com solda no tempo de calor, com peça quente. É um serviço perigoso e insalubre, tem periculosidade porque você vai trabalhar com calor, fumo em suspensão, causa irritação na pele, a fumaça intoxica a pessoa... e, no entanto, não tem o carinho de nada especial para ele” (MINAYO, 1986: 158).
 
Quase sempre por atos esquecidos,  a CVRD tornou-se devedora de Itabira nos primeiros passos dados na cidade. Em “Terceira Itabira”, a autora, Maria das Graças Souza e Silva (2004) informa: “Nesse período inicial, o papel de alguns itabiranos como avalistas da mineradora possibilita a sua continuidade, pois a CVRD não tinha crédito no comércio local.  Esse fato é lembrado pelos mais antigos com muito orgulho” (SILVA, 2004: 57). A este respeito, um dos muitos funcionários da empresa, revelou à Revista DeFato (abril de 2010, página 42), que havia uma casa comercial na cidade que estampou  em sua prateleira, um aviso assim, lá pelos idos de 1943: “Nesta Cia não se fia”
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Sobre o espaço urbano, existem centenas de reclamações de itabiranos. Maria do Rosário Guimarães de Souza, em “Da Paciência à Resistência” (2007) narra: “As minas barram o crescimento da cidade nas direções norte e noroeste e sua exploração industrial levou ao desaparecimento de vários bairros próximos a elas, como Sagrado Coração de Jesus, Vila Conceição de Cima, Vila Centro e Cinco, aglomerado da Camarinha e parte superior da Vila Paciência”. Mais adiante, acrescenta: “Esses problemas poderiam ter sido evitados se fossem adotadas medidas efetivas de planejamento urbano no sentido de direcionar o povoamento para as áreas mais distantes da mineração e dos bairros anteriores a essa. Porém, não houve  preocupação do poder público municipal com o planejamento urbano quando a cidade passou a ser polo de atração populacional, principalmente a partir da década de 1970 — momento da expansão da atividade minerária no município.” (SOUZA, 2007:46).
 
Voltando à  “Terceira Itabira” — obra  inspirada por Maria das Graças Souza e Silva (2004) no questionamento do poeta itabirano, Carlos Drummond de Andrade, quanto ao destino de Itabira após a exploração de suas riquezas minerais: — é a pergunta drummondiana: “Haverá uma terceira e diversa Itabira?” (ANDRADE, 1967, p.574 apud SILVA, 2004, p.21). Estaríamos nela ou não?
 
Em sua obra, a exemplo de Minayo, Maria das Graças apresenta o teor de várias entrevistas. Destacamos:
 
— “Itabira era colônia da Vale” (representante da Acita).
 
— “A Vale cooptou as lideranças itabiranas. A Vale quis deixar Itabira afastada do mundo” (jornalista).
 
— “A pior coisa que a Vale fez por Itabira foi calar suas lideranças.¨(deputado)  — (SILVA, 2004, p.120).
 
E continua: “A Vale moldou Itabira como quis, Primeiro o seu minério era o melhor do mundo, que ela salvava a economia do país e outras ideologias (...)slogans. O povo ficou chupando dedo, esqueceu o que estava se passando em sua própria casa, a cidade.”    (SILVA, 2004, p.120). 
 
“A interferência da ‘Companhia’ — que começou na década de 40 e se acentuou na década de 50, com a mecanização — consolidou definitivamente a simbiose entre a cidade e a mina, de tal forma que os destinos de ambas se entrelaçam e se cruzam, não em termos de reciprocidade, mas de domínio quase absoluto da segunda sobre a primeira.” (LIMA, 2002, p.17).  
 
ANÁLISE
 
O pequeno curtíssimo levantamento aqui descrito representa somente um  mínimo de outros já anotados. O objetivo deste capítulo é apenas mostrar uma face dos dois lados da moeda para, a seguir, apresentar as novas e estruturaa como razões deste trabalho a que chamo DOCUMENTÁRIO, não se perdendo o fio da meada. Importante, apesar do reconhecimento de que aqui defendo de unhas e dentes uma cidade, ainda mostrarei tópicos não tão favoráveis assim, ou seja, houve omissões de várias partes.
 
CONCLUSÃO
 
A história está aí e muitos atores ainda vivem, ou sobreviveram às intempéeries de um sonho que, na verdade, sempre foi de abundância durante o crescimeto e expansão até para o exterior da segunda maior mineradora do mundo. Os prós, logicamente, atraíram multidões à cidade e aí se construiu um grande espetáculo de dinheiro vivo. Era tão intensa a circulação dos cruzeiros, cruzados e reais na cidade que, certa vez, um jornal da cidade publicou uma crônica de um ex-bancário que se despedia da terra do minério de ferro. Ele assim se justificou, usando ironia até certo ponto interessante: “Vou-me embora daqui porque me dizem que nesta querida cidade o dinheiro corre muito. Vou para um outro lugar em que ele fique parado pelo menos um dia na minha mão. Se não consigo segurá-lo onde fica sossegado, quieto, imaginem correndo... Fiquem com Deus!”
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
LIMA, José Carlos Fernandes de. A sociedade civil de Itabira na década de 90 e a democratização do poder local: avanços e dificuldades. Belo Horizonte: Dissertação de Mestrado, 2002, 124 p.
 
LOTT, Denis Martins da Costa. O Fechamento de Mina e a Utilização da Contribuição Financeira por Exploração Mineral. Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2014, 98 p.
 
MINAYO, Maria Cecília  de Souza. Os homens de ferro: estudo sobre trabalhadores da Vale do Rio Doce em Itabira. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986, 244 p.
 
MINAYO, Maria Cecília  de Souza.  De ferro e flexíveis. Rio de Janeiro: Garamond,  2004, 460 p.
 
OLIVEIRA, Cecília Maria Viana Camilo de. Itabira: Desenvolvimento e Dependência. Itabira: Gráfica Dom Bosco, 1992, 72 p.
 
Revista DeFato. Edição 179, novembro/2007.
 
SAINT-HILAIRE, A. Itabira do Maro Dentro, jornada de Itabira a Vila do Príncipe. In: Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre: Companhia Editora Nacional, 1938, 246 p.
 
SILVA, Maria das Graças Souza  e.  A Terceira Itabira. São Paulo: Editora Hucitec, 2004, 256 p.
 
SOUZA, Maria do Rosário Guimarães de. Da Paciência à Resistência: conflitos entre atores sociais, espaço urbano e espaço de mineração. São Paulo: Aderaldo & Rothschild Editores, 2007, 176 p.
 
José Sana
Fotos:                1. Itabira, década de 1930 - Brás Martins da Costa
                          2- Vila Sagrado Coração de Jesus (Explosivo) - CVRD
                          3 e 4 - Máquina da estrada de ferro - CVRD
                          5 - Acervo Museu do Ferro
                          6 - Arquivo pessoal
 

 

 

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