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Boa tarde - Itabira, domingo, 15 de setembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

DOCUMENTÁRIO  
VALE-ITABIRA/ITABIRA-VALE
Metodologia variada deste trabalho 29/06/2018

Para começar este trabalho sobre o relacionamento Vale-Itabira ou Itabira-Vale, que desejo que se constitua  um simplório documentário para ajudar nas negociações que vêm aí entre essas partes, gastei pelo menos 52 anos. Ou mais. Talvez desde os meus 5 anos de idade, quando me impressionava, lá da minha terra natal, São Sebastião do Rio Preto, com a imponência do Pico do Cauê.

 

Com meu irmão Carlos e a governanta da casa, Maria Lucinha, uma negra de muita fibra e amor pelos meninos que ajudou  a criar, subíamos uma serra de altitude elevada — acho que uns 1.200 metros, um pouco mais baixo que o Cauê — para a colheita de café. Ninguém gostava de andar tanto, subir ladeiras, tropeçar em pedregulhos e espetar os pés com estrepes danosos ou envolver as pernas curtas com “navalhas de macaco”. Mas, eu, particularmente, exigia que chegássemos antes de meio-dia ao topo, porque nesse horário alguns dinamites subiam e estouravam numa montanha gigantesca localizada bem aos nossos olhos, apesar da distância de, no máximo 30 a 35 quilômetros em linha reta. O nome da montanha é Pico do Cauê. E eu vibrava com o belo espetáculo que ocorria diariamente de segunda a segunda-feira.

 

Depois disso, uns 16 anos mais tarde, estava eu no auditório do escritório do Areão, em Itabira, ao lado de outros colegas admitidos em concurso, para ouvir uma palestra sobre a Companhia Vale do Rio Doce. Orgulhoso fiquei de ver, primeiramente, um filme, em seguida apreciar uma palestra. Mas, como um dinamite estourando no velho Cauê foi a fala do palestrante no fim. Ele dedicou grande parte dela a uma expressão que sempre foi o fantasma do itabirano: exaustão. Na saída do evento, realizado exatamente no dia 29 de maio de 1966, passei na seção de pessoal e recebi a carteira assinada, e resmunguei: “Puxa! Tanto tempo procurando um emprego bom e hoje já dizem que a grande empresa que me acolheu  pode acabar!”

 

Acabo de declarar, nos três tópicos acima, que sou — independentemente de pesquisas catalogadas, livros selecionados, trabalho na função de “apropriador” em contato com centenas de pessoas, jornais, revistas, entrevistas gravadas ao logo de meu trabalho na editoria da revista DeFato e usando recursos da história oral com muita insistência mas sem abuso — uma metodologia humana, que se oferece de boa vontade. No levantamento bibliográfico desenvolvido, deparei-me com artigos, monografias, teses, dissertações sobre o tema a que me dedico a partir de agora. Por seu lado, tanto a Vale quanto Itabira são ricas em qualquer natureza de levantamento que se faça em geografia, economia, biologia, administração, história, antropologia e em várias engenharias.

 

É claro que há Carlos Drummond de Andrade no meio deste caminho, não como uma pedra, mas um horizonte de informações indispensáveis. Ele nos leva a Tutu Caramujo, a Paulo Camillo de Oliveira Pena, a poemas sempre mal-entendidos, mas definidos como de nostalgia diante da paisagem para ele saudosa, que testemunhou sua infância.

 

Também, durante dez anos (1973-1982), exerci o cargo de vereador, tendo sido presidente da Câmara Municipal em duas legislaturas (1978 e 1982). Durante a primeira, tive o prazer de promover o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras, quando trouxemos a Itabira mais de cem representantes de municípios que se dedicavam, ou ainda se dedicam, à atividade minerária. Foi exatamente durante os três dias de seu desenvolvimento, no auditório do Cine Atlético Itabirano, que difundimos a ideia de Paulo Camillo, instigado por Drummond, sobre o Fundo Nacional de Exaustão de Recursos Minerais, que vingou somente na Constituição de 1988 e com o nome de Royalty do Minério de Ferro. E, por dedicação inconteste à missão, modéstia à parte, com certeza porque vivíamos os anos de chumbo da ditadura militar instalada no Brasil em 1964, a empresa que amei e assediei desde os 5 anos, me demitiu irremediavelmente. Mas isso é outra história, citei o fato para me garantir como participante do grupo de elite e de parte do povão que fornecem metodologia variada para direcionar este trabalho.

 

É preciso mencionar e deixar muito claro que esta tarefa pode resultar-se até em um livro, mas tem uma vantagem bem acima do que seria uma compilação de textos em papel: frases podem ser modificadas — acrescentando ou cortando — ao longo do tempo, porque já convoquei os que amam Itabira ou querem fornecer a sua contribuição, para entrar comigo neste vagão da grande Vale, que aqui é a nossa Companhia, mesmo devedora, pelo menos responsável e desejosa de cumprir o seu dever social, creio e espero.

 

JOSÉ SANA

29/06/2018

FOTOS: Reprodução Jornal da Vale (1973), Foto Silva e Arquivos DeFato (1993-2012)

 


 

 

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