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Boa tarde - Itabira, domingo, 15 de setembro de 2019   NOTÍCIA SECA CONTATO

MEIO AMBIENTE  
DESAFIO INEVITÁVEL AO LEITOR:
Quem conhece o verbo EVITAR? 11/02/2019

 
Já começo estas linhas assim, atacando o meu eventual leitor: duvido que você e outros que se julgam donos da verdade saibam o verdadeiro significado do verbo evitar e já tenham feito uso dele integralmente. Aposto que muitos, principalmente os que entendem muito, mais ou menos ou um pouco da língua portuguesa, digam que é um verbo transitivo direto e que, na conjugação é regularmente aplicado. Vão até apresentar exemplos de seu emprego, como “As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos” (René Descartes).
 
A bibliografia oferece outros exemplos, como este: “Há coisas que nos inspiram o desejo de pecar, mas há os mil e um cuidados para o evitar” (Jean Molière).  E há os sinônimos, como: esquivar-se, fugir, escapar, furtar-se, afastar-se, desviar-se, distanciar-se, livrar-se, safar-se, salvar-se, preservar-se, evadir, tornejar, impedir, impossibilitar, frustrar, atrapalhar, dificultar, deter, obstar, embaraçar, estorvar, empatar, atravancar, conter, reprimir, refrear, tolher, proteger, poupar, livrar, resguardar, privar, prevenir, abster-se.
 
Em contraposição, mais no íntimo, imagina o cidadão o seguinte: “Que nada! Isso não acontece comigo, se acontecer é fatalidade”. E, o pior de todos os sentidos é o seguinte: “Fulano de tal falou isso? Pode crer que ele está completamente doido, varrido, rasgando notas de cem!”.
 
O grande problema é que ninguém, mas ninguém mesmo, recebe medalha de honra ao mérito, ou da Inconfidência, ou o Prêmio Nobel, por ter evitado algum desastre. Vimos a todo o instante as pessoas bancando heróis, salvando dezenas de outras, agindo com galhardia em benefício do próximo, mas quando se trata de quem evitou toda a tragédia, aí diz que “evitou porque não iria mesmo acontecer!”
 
Pobre humanidade! Fala em evitar filhos temporãos; em evitar a ingestão de algum alimento perigoso, ou remédio; em sair de casa à noite; em isso, aquilo e aquiloutro, mas, evidentemente, poucos praticam a regra ao pé da letra. No caso de acidentes da mineração, que assolaram Minas Gerais de há pouco (Mariana e Brumadinho e ameaçaram Barão de Cocais) nem uma palha foi levantada para que  as tragédias fossem evitadas. E se alguém, seja um engenheiro de mineradoras, seja um pé-rapado qualquer, levantar uma questão de ordem, esse merece ser ouvido e respeitado. Evitar é o verbo que nunca premia ninguém. Mas só é válido para os inteligentes.
 
Fatalidade. Substantivo feminino, que indica a qualidade de fatal, destino que não se pode evitar; fado, fatalismo. Está aí o termo da língua portuguesa que tem o costume de derrubar o verbo evitar. O sujeito sobe no vigésimo andar de um edifício, de lá se atira loucamente. Depois vêm os “entendidos” que não se poupam em afirmar a conhecida tolice: “Isso foi uma fatalidade!” Que falta de bom-senso, de capacidade analítica, de até mesmo, para os religiosos ou devotos de alguma crença, fé em Deus, em divindades, em santos e no próprio controle mental!
 
Não vou insistir muito em explicar o que todos os que se interessam pelo tema já entenderam desde a primeira linha deste texto. Pelo contrário, aqui encerro as minhas argumentações para que algum mal-entendido seja exatamente evitado. Evitar, sim, e bato na mesma tecla: que as fatalidades sejam apenas as que nunca temos a capacidade de evitar, como parar a tempestade, o terremoto, o tufão, depois que tudo tenha começado. Mas, prestem a atenção, evitem entender que não temos sempre a capacidade de cancelar uma tragédia.
 
E, fechando esta página sem mudar de assunto: que as cidades mineradoras se equipem para evitar tragédias que, infelizmente, estão se espalhando por Minas Gerais afora. E que os nossos políticos e representantes eletivos parem de acreditar que só eles sabem de tudo e que o povo, até mesmo a sociedade civil organizada, deixe de ser  idiota e irresponsável.
 
José Sana
 
11/02/2019
 

 

 

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